Troféus T de Tênis – Resultados
Chegou a hora, Brasil. Encerrando o ano no T de Tênis, é hora de ver quais são as Fotos do Ano, os Vídeos do Ano e a Russice do Ano. Que rufem os tambores.
Russice do Ano
Nem precisou esperar muito pra acontecer. Logo no primeiro mês do ano Maria Kirilenko protagonizou a russice que foi eleita pelos leitores do T de Tênis, com 25% dos votos, como a maior do ano. Pra relembrar:
Primeiro, não teve ranking pra entrar na chave principal de Sydney e precisou do tiebreak do terceiro set na primeira rodada do quali. Contra a Lepchenko. Depois de ter perdido o primeiro set por 6-1. Não satisfeita, ainda proporcionou o abandono mais vergonhoso do Australian Open após perder sete games para Kvitova e caminhar até a adversária anunciando sua desistência com um sorriso no rosto, como se estivesse saindo dali e indo pra um shopping.
Parabéns, Kirilenko, pela russice do ano de 2012.

Fotos do Ano
Vitórias
Troféu na cabeça, bebê no troféu, camisa rasgada, alívio… Nada disso. A foto do ano na categoria Vitórias é a alegria de um Career Slam. De joelhos no saibro, Maria Sharapova abriu os braços e recebeu 53% dos votos.

Derrotas
Aposentar-se dói. Perder pela milésima vez pra mesma adversária dói. Uma derrota numa final de Grand Slam dói. Mesmo que seja nas duplas mistas. Elena Vesnina chorou enquanto Horia Tecau recebia o troféu e foi escolhida por 39% dos leitores como a foto do ano.

Fanfarronices
Sanduíche de tenista, balé no saibro azul, OPA Gangnam Style e soneca no changeover até foram engraçados, mas nada superou as caras e bocas das bacurinhas em Wimbledon, escolhidas com 36% dos votos.

Off-court
Desfilar na cerimônia de abertura das Olimpíadas é legal. Ser flagrada com o novo namorado pode ter sido desconcertante. Mas o BOOOOM do ano, sem dúvida, foi um corte de cabelo fake. Sharapova venceu de novo, agora com um massacre, 82% dos votos. Maria, sua linda!

Olimpíadas
A categoria especial do prêmio Foto do Ano foi a mais disputada. As três concorrentes estavam empatadas até os últimos dias da votação. Com 37% dos votos, a vencedora não é uma volta olímpica ou um abraço de irmã. É o quase beijo de Andy Murray e Kim Sears após o ouro em simples, um dos momentos mais emocionantes dos Jogos para o #TeamGB (saudades).

Vídeos do Ano
Produção
Teve muito vídeo bem produzido em 2012. Bem que o vencedor poderia ter sido o vídeo só amor da USTA ou a profecia de Roberta Vinci. Mas Jelena Jankovic, se perdeu na foto do ano, roubou a cena aqui e atropelou. 67% dos votos para la revolución.
Fãs
Desculpem a total parcialidade, mas aqui o vencedor não poderia ser outro. Da lesão de 2008 ao título de Roland Garros, a trajetória de Maria Sharapova embalada pela música de Beyoncé foi o vídeo do ano para 75% dos votantes.
Flagras
Ok, todo mundo riu com a bandeira caindo no meio do hino americano. Mas tinha como não escolher Dácio Campos descontrolado cantando e dançando nos bastidores da Copa Davis?
Dessa forma o T de Tênis se despede de 2012. Se bem que nem vai dar tempo de descansar, porque a próxima temporada já começou. Então, até daqui a pouco =)
Top 10 Jogos Que Eu Vi – Emoção
Alegria, tristeza, raiva, entusiasmo, surpresa… 2012 foi um ano cheio de emoções no tênis. Então é hora de listar as dez partidas mais emocionantes do ano pra mim.
10. Serena Williams d. Maria Sharapova, 6-0 6-1, final das Olimpíadas
Um misto de frustração e sensação de dever cumprido. Assim como nos jogos anteriores, Serena passou o trator e não deu chances a Sharapova. Ainda que não precisasse, contou com a ajuda do vento pra dificultar o saque da Maria e montar nas devoluções e nos winners. Maria até teve chance de fazer um game no primeiro set, sacou com 40/0 no 0-5, mas conseguiu levar o pneu. No segundo, ainda perdeu mais três games antes de confirmar seu primeiro. Teve break points, mas Serena salvou todos e ainda afrontou com uns “C’mon” aleatórios. Sacou pra fechar e não decepcionou, tratando de acabar o jogo com ace. Méritos para Serena, segunda mulher na história a conquistar o Golden Slam. Sharapova chegou onde tinha que chegar e perdeu pela força da rival.
9. Victoria Azarenka d. Maria Sharapova, 6-3 6-0, final do Australian Open
Decepção. Não só com o resultado, mas porque eu assisti ao torneio inteiro e dormi na final. Vika começou muito mal no saque, cometendo diversas duplas faltas, mas a partir do terceiro game entrou no jogo e dominou a partida completamente. Trouxe Sharapova pra rede, deu lob, passada, forçou erros… No segundo set, Maria começou sacando e cometeu um erro de estratégia enorme no break point. Sacou bem, a bola voltou alta e curta e ela esperou quicar. Mas resolveu atacar de backhand, quando tinha todo o tempo do mundo pra se posicionar e smashar de forehand. Perdeu o game. Sacando, Vika fez algumas besteiras e até cedeu break point, mas Maria tratou de desperdiçar tudo sozinha e não teve mais chances de voltar ao jogo.
8. Novak Djokovic d. Rafael Nadal, 5-7 6-4 6-2 6-7 7-5, final do Australian Open
Cansaço. O jogo começou muito chato, só ficou legal a partir do quarto set. O oitavo game, precisamente. Com três break points contra, Nadal se superou e começou a garoar. No iguais a quadra já estava molhada. Nadal fez os dois pontos seguintes, fechou o game e esbravejou contra o árbitro Pascal Maria mandando fechar o teto. O pedido foi aceito (a chuva estava piorando) e, na volta, tudo mudou. O jogo ficou mais intenso, Nadal sacou melhor e levou o set para o tiebreak. O espanhol teve a primeira miniquebra, Djokovic virou e chegou a ficar com 5-3, mas Nadal venceu todos os pontos seguintes e levou a decisão ao quinto set. Neste set três recordes foram quebrados: final mais longa do Australian Open, final mais longa em Grand Slam e partida mais longa do Australian Open. Só não superou o recorde de partida mais longa em Grand Slam porque né? Nadal quebrou no sexto game, mas levou a virada, com quebras no sétimo e no décimo games. Sacando para o jogo, Djokovic ainda salvou um break point. Exausto, fez os três pontos necessários e venceu o jogo histórico.
7. Eugenie Bouchard d. Elina Svitolina, 6-2 6-2, final de Wimbledon juvenil
Satisfação. O jogo começou bem legal. Genie abriu 2-0, foi quebrada de zero e imediatamente depois quebrou de novo. Jogou um lindo game no 3-2 e quebrou com um winner de devolução. Sacou pro set e não bobeou. No segundo set, aproveitou uma pequena baixa de guarda da Svitolina pra mostrar todo seu arsenal. Atacando tudo, mandou winners de devolução, swing volleys e paralelas espetaculares pra fechar o jogo e levantar o troféu.
(eu tinha certeza que tinha o vídeo completo do jogo no YouTube, mas não achei)
6. Virginie Razzano d. Serena Williams, 4-6 7-6 6-3, primeira rodada de Roland Garros
Falta de ar. Só vi a partir do 3-3 do segundo set. Serena esteve a dois pontos da vitória quando Razzano sacou em 4-5, 15/30 e no tiebreak, quando abriu 5-1. No 5-3, Serena parou o ponto e cantou bola fora. A árbitra, Eva, desceu e deu bola boa. A partir daí tudo mudou. Razzano venceu 13 pontos seguidos e chegou a abrir 5-0 no terceiro set. Serena, pálida, ensaiou uma reação, e aí chegou o nono game. Um épico de quase quinze minutos de duração, sete match points perdidos por Razzano, cinco break points perdidos por Serena, e o final com um forehand pra fora da Serena. Torcida emocionou a Razzano, gritando muito, e a história foi escrita com a primeira eliminação de Serena em uma primeira rodada de Slam.
5. Lukas Rosol d. Rafael Nadal, 6-7 6-4 6-4 2-6 6-4, segunda rodada de Wimbledon
Surpresa. Na verdade eu só vi o quinto set. Soube que nos quatro primeiros houve muita pancada do Rosol, Nadal reclamando do gestual do trecho quando vai receber o saque, mental abalado do espanhol, tiebreak com vinte pontos, enfim. Ao final do quarto set, o jogo foi interrompido por meia hora para que o teto fosse fechado e as luzes fossem acesas (já passava das 21h locais), o que me permitiu chegar em casa a tempo. No set final, Rosol quebrou logo no primeiro game e não tremeu em momento algum. Sacando em 5-4, fez três aces e entrou para a história.
4. Andy Roddick d. Roger Federer, 7-6 1-6 6-4, terceira rodada de Miami
Alívio. Roddick entrou focado, concentrado e jogou um primeiro set muito bom, vencendo um tiebreak em que jogou muito. No segundo set morreu. No terceiro começou quebrado, mas conseguiu devolver a quebra graças ao risco desnecessário que Federer decidiu correr. Acabou levando várias passadas. Roddick sentiu o bom momento, continuou focado e não fraquejou quando sacou para o jogo. Com o match point em mãos, ace. Melhor atuação do ano.
3. Maria Sharapova d. Na Li, 4-6 6-4 7-6, final de Roma
Loucura. O primeiro set parecia tranquilo, Maria quebrou, foi quebrada e tudo estava igual até o 4-4. Li confirmou e Maria cedeu a quebra no game seguinte. O segundo começou com um trator chinês, foram quatro games seguidos (pneu moral, contando com os dois do primeiro set). A partir daí um brainfart da Li encontrou uma Maria ainda concentrada, e o pneu moral mudou de lado. No terceiro set Maria já começou quebrando, mas depois de abrir 3-1 cedeu a quebra e o jogo ficou ainda mais tenso. Sacando em 5-6, ela teve um match point contra, mas salvou e levou à decisão pro tiebreak. A chuva, que já tinha parado o jogo por alguns minutos, ficou mais forte e o jogo foi interrompido por mais de três horas. Na volta, a chuva não deu trégua, mas mesmo assim as jogadoras foram para o tiebreak. Maria começou atropelando e abriu 3-0. Depois da troca de lados ela ameaçou titubear e Li empatou em 5-5, mas, com dois erros seguidos, entregou o jogo.
2. Juan Martin Del Potro d. Andy Roddick, 6-7 7-6 6-2 6-4, oitavas do US Open
Despedida. Roddick começou bem, jogando em alto nível e conseguindo a quebra no sexto game. Sacando para o set, alongou demais as bolas e mandou várias pra fora, sendo quebrado. Se salvou e conseguiu levar o jogo ao tiebreak. Após vencer o primeiro ponto no saque, veio a chuva e o jogo foi interrompido até o dia seguinte. A vitória de Roddick no início do segundo dia até deu esperanças, mas Del Potro venceu o segundo set também no tiebreak e aí a vaca começou a ir pro brejo. Mais focado e com menos a perder, Del Potro dominou o resto da partida, que acabou com o estádio de pé e Brooklyn Decker chorando copiosamente.
1. Maria Sharapova d. Sara Errani, 6-3 6-2, final de Roland Garros
Alma lavada. Sharapova começou a partida focada e não perdeu a concentração em momento algum. Com saques conscientes, winners matadores e se aproveitando do saque ruim de Errani (cuja média de velocidade no primeiro serviço foi mais baixa que a do segundo serviço da russa), tratou logo de abrir 4-0 e, mesmo sendo quebrada, fechou em menos de quarenta minutos. No segundo set, quebrou logo no início, salvou break point no quarto game, quebrou no quinto, foi quebrada no sexto, quebrou no sétimo e sacou para o set, para o jogo, para o campeonato, para a história. Um game tenso, com dois match points perdidos, um break point salvo e uma bola na rede da Errani. Ali, ajoelhada no saibro parisiense, Maria se tornava a décima mulher na história a vencer os quatro torneios mais importantes do calendário, e apenas a terceira a fazer isso em três pisos diferentes. Levou quatro anos pra acontecer, mas aconteceu.
E você? O que achou dos Top 10 Jogos Que Eu Vi? Quais jogos mais lhe divertiram ou emocionaram? Quais foram os mais disputados?
Top 10 Jogos Que Eu Vi – Ação
Ação… difícil explicar essa categoria. Coloquei aqui não exatamente as partidas mais disputadas do ano, mas aquelas que tiveram um roteiro inesperado e emocionante. Mas não emocionante de fazer chorar, emocionante de… ah, vocês entenderam.
10. Ekaterina Makarova/Bruno Soares d. Kim Clijsters/Bob Bryan, 6-2 3-6 [12-10], segunda rodada do US Open
Um jogaço, com pontos incríveis e muita russice da dupla Soarova, que perdeu quatro match points, mesmo depois do #CamisaPower do Bruno (aliás, que camisa feia, hein, moço). Foi a última partida oficial de Kim Clijsters, que, àquela altura, já estava eliminada em simples e em duplas femininas.
9. John Isner d. Novak Djokovic, 7-6 3-6 7-6, semifinal de Indian Wells
Grandes pontos de ambos os jogadores. Djokovic inventou bolas mágicas e Isner se salvou muito bem em vários momentos. Nole salvou um match point no 5-6 e mais dois no tiebreak. Na primeira chance que teve de fechar o jogo no saque, Isner sacou e Nole não conseguiu devolver.
8. Nicholas Taylor/David Wagner d. Andy Lapthorne/Peter Norfolk, 6-2 5-7 6-2, final das Paralimpíadas
A disputa do ouro da categoria tetraplégicos envolvia o porta-bandeira da Grã-Bretanha e astro local Peter Norfolk, mas o grande destaque foi Nicholas Taylor, americano que usa uma cadeira de rodas elétrica, faz o toss com o pé e bate na bola com a raquete presa no pulso. O jogo foi lindo, com longas trocas de bolas, defesas e contra-ataques. Vitória dos americanos e Norfolk ficou sem ouro em Londres.

(infelizmente não achei nenhum vídeo dessa partida)
7. Maria Sharapova d. Sabine Lisicki, 3-6 6-2 6-3, oitavas do AO (23/01)
Um lindo jogo, em que Maria abriu 3-0, mas Sabine deu pneu moral e assustou. No segundo set, Maria apertou e venceu. O terceiro começou com muito equilíbrio e um game de mais de treze minutos. Maria quebrou e abriu caminho para a vitória.
6. Andy Murray d. Novak Djokovic, final do US Open
A pergunta que todos se faziam era COMO Murray ia conseguir perder aquele jogo. Uma partida incrível, com trocas de bola de tirar o fôlego e um final inesperado. E não, Murray não perdeu esse jogo.
5. Roger Federer d. Andy Murray, 4-6 7-5 6-3 6-4, final de Wimbledon
Inesquecível. Murray começou quebrando, perdeu três games seguidos, jogou um game de 14 minutos, quebrou e fechou. O segundo set teve mais ataques e uma chuva de smashes, principalmente de Federer, que conseguiu a única quebra da parcial apenas no último ponto. O jogo ainda foi interrompido pela chuva e, na volta, mais um game interminável. No quarto set, Murray já estava com o mental abalado e Federer precisou apenas controlar. Chegou a ter 30-30 no penúltimo game, mas só chegou ao match point quando sacou para o jogo. Com uma direita cruzada de Murray que passou perto da linha, mas fora, Federer conquistou seu sétimo Wimbledon, 75º título da carreira e garantiu a volta ao #1 do mundo.
4. Caroline Wozniacki d. Serena Williams, 6-4 6-4, quartas de final de Miami
Nunca vi Wozniacki tão ofensiva. Fazendo winners (!), aces (!!!), levando vantagem nos rallys e contando com erros da Serena, venceu o primeiro set e abriu 4-1 e 5-2 no segundo. Sacou pro jogo a primeira vez e foi quebrada. Na segunda, chegou ao match point e venceu o jogo numa bola na rede de Serena.
3. Maria Sharapova d. Nadia Petrova, 6-1 4-6 6-4, oitavas do US Open
Eu teria medo dos olhares da Sharapova nesse jogo. Cara de má, gritando C’MON em erros adversários, atropelando no primeiro set, sofrendo no segundo, sendo quebrada no terceiro… chuva. Na volta, uma Maria ainda mais focada e ainda mais vibrante arrancou para uma vitória espetacular.
2. Victoria Azarenka d. Dominika Cibulkova, 1-6 7-6 7-5, oitavas de Miami
Cibulkova esteve por várias vezes muito próxima da vitória. Abriu 5-0 no primeiro set e teve 4-0 no segundo. Azarenka não conseguia variações e seu jogo era apenas devolver bolas e esperar erros. Azarenka ainda teve que lutar muito pra quebrar nas duas vezes que Domi sacou para o jogo no segundo set. No tiebreak, perdeu quatro set points, mas conseguiu fechar. O terceiro set teve muitas quebras e muita cabeçudice de ambos os lados. Vika conseguiu a quebra definitiva e sacou pro jogo em 6-5. Ainda teve que salvar um break point, mas conseguiu fechar graças, ironicamente, a um forehand pra fora. Foram 15 winners de Vika contra 46 de Cibulkova, 38 erros da bielorrussa e 53 da eslovaca e um total de pontos de 100 x 110. Um jogão de 2h47min.
1. Kim Clijsters d. Na Li, 4-6 7-6(6) 6-4, oitavas do Australian Open
Que virada! Na Li dominou o início do jogo, Kim torceu o tornozelo feio e quase desistiu. Pediu atendimento, voltou pro jogo e brilhou. Acabou perdendo o primeiro set, mas conseguiu cozinhar o segundo até o tiebreak e ali mostrou porque tem quatro slams: salvou quatro match points, o último com um lob humilhante. No terceiro set, continuou cozinhando o jogo e aproveitou as chances que teve. Na Li saiu completamente desestabilizada e nem conseguiu completar sua entrevista coletiva por causa das lágrimas.
Amanhã, na última parte dos Jogos Que Eu Vi, as dez partidas mais emocionantes do ano.
Top 10 Jogos Que Eu Vi – Diversão
Em 2012 eu resolvi fazer pequenos resumos/relatos de todas as partidas de tênis que eu vi pra não ter problemas de esquecimento na hora de escolher o Top 10 do blog. Só que eu assisti tantos jogos (foram cerca de duzentos) que o problema aconteceu ao contrário: era muito jogo bom pra escolher só dez.
Sendo assim, decidi fazer não um, mas três Top 10: Diversão, Ação e Emoção. Claro que algumas partidas se encaixaram em mais de uma categoria, mas tive que me decidir por uma ou por outra. Nessa primeira lista, as dez partidas que mais me divertiram em 2012.
10. John Isner d. David Nalbandian, 4-6 6-3 2-6 7-6 10-8, segunda rodada do Australian Open
Esse jogo aconteceu no meio da madrugada e eu só vi a partir do início do quarto set. Os dois erraram muito, e o backhand do Nalbandian foi a parte mais bonita do jogo, que será mais lembrado pela polêmica. No 8-8 do quinto set Isner teve um break point contra. O árbitro (Khader Nouni) deu overrule marcando bola boa. Nalbandian conferiu a marca e pediu desafio, mas Khader não deixou. Até o representante da ITF entrou em quadra, mas não teve jeito. Isner fechou o game logo depois e quebrou no seguinte pra fechar a partida.
9. Roger Federer d. Juan Martin Del Potro, 3-6 7-6 19-17, semifinal das Olimpíadas
Uma maratona de quatro horas em que del Potro mostrou por mais de uma vez que merecia vencer, mas por mais de uma vez errou quando não poderia e por mais de uma vez teve que correr atrás. No set decisivo Federer teve por duas vezes a chance de sacar pra fechar, mas foi quebrado no 10-9 e só foi ter outra chance muito tempo depois. No match point, contou com uma bola na rede de del Potro pra chegar à final.
(Sim, tem a partida na íntegra no YouTube. Não, eu não assisti de novo antes de fazer esse post)
8. Roger Federer d. Thomaz Bellucci, 3-6 6-3 6-4, oitavas de Indian Wells
Bellucci começou acertando tudo! Federer colaborou errando bolas acertáveis e Bellucci venceu o primeiro set. No segundo, Federer começou quebrando e foi levando o jogo. No sétimo game, Bellucci salvou três break points e confirmou. No nono, chegou a salvar set point, mas na segunda chance que teve, Federer deu um lob, Bellucci hesitou, trocou um smash por um slice de costas e mandou muito longe, terminando o set de forma engraçadíssima. No terceiro, o jogo continuou equilibrado até o nono game. Bellucci chegou a salvar um match point, mas Federer fechou no erro do brasileiro. Jogaço.
7. Ekaterina Makarova/Bruno Soares d. Kveta Peschke/Marcin Matkowski, 6-7 6-1 [12-10], final do US Open
Não pude ver esse jogo ao vivo, acabei vendo só muito tempo depois. Os quatro jogaram muito bem na rede, mas Bruninho se aproveitou melhor dos pontos importantes (apesar de ter perdido um set point no primeiro set). Ele e Makarova até perderam o primeiro set, mas dominaram o segundo e contaram com a sorte no match tiebreak (uma bola na fita do Bruno fez Matkowski furar). Marcin perdeu um match point, Makarova foi GOAT salvando outro e uma bola na rede de Peschke fechou a partida, dando o primeiro título de Grand Slam a ambos.
6. Roger Federer d. Rafael Nadal, 6-3 6-4, semifinal de Indian Wells
O jogo começou três horas e meia atrasado por causa da chuva. Federer abriu 3-0, Nadal empatou e Federer venceu mais três games. No segundo game do segundo set o jogo parou por dois minutos por causa de uma “quase chuva”. Na volta, Federer confirmou e, com muito vento, quebrou Nadal. Se adaptando melhor ao vento, Federer fez várias jogadas geniais. Quebrou mais uma vez e sacou para o jogo, mas foi quebrado. Sacando de novo para o jogo, balançou um pouco e, quando chegou ao match point, começou a chover. Na volta, poucos minutos depois, um ace e fim de jogo.
5. Andy Roddick d. Bernard Tomic, 6-3 6-4 6-0, segunda rodada do US Open
O primeiro jogo após o anúncio da aposentadoria. Com uma quebra logo no ínicio (chegou a ter 3-0), usou direitinho o saque e, surpreendentemente, acertou 50% das subidas à rede. Até chip and charge ele tentou (e errou). O segundo foi mais disputado e teve mais games longos. Tomic cedeu a quebra apenas no penúltimo game. Dominando a rede (!!!) e contando com a queda de ritmo do Tomic, conseguiu três quebras e sacou para o pneu. Com um ace, fechou a partida em 1h27 e adiou a aposentadoria.
4. Kaia Kanepi d. Caroline Wozniacki, 6-1 6-7 6-3, terceira rodada de Roland Garros
Um jogo muito feio, mas que rendeu um dos momentos mais engraçados do ano. No terceiro game do segundo set, com um break point contra, Wozniacki parou um ponto chamando bola fora, o árbitro desceu e deu bola boa, confirmando a quebra pra Kanepi. Caro não aceitou e ficou parada gritando enquanto Kanepi já tava sentada. Reclamou com o árbitro, chamou a supervisora, mas de nada adiantou. O jogo continuou louco depois, com Wozniacki salvando dois match points, quebrando Kanepi três vezes e sendo quebrada uma, vencendo o tiebreak, levando 1-5 no terceiro set, salvando mais match points e errando um balão pra dar fim ao jogo. Kanepi ainda inventou de desenhar um coração no saibro enquanto Wozniacki saia correndo de quadra.
3. Maria Sharapova d. Maria Kirilenko, 3-6 7-5 6-2, quartas de final de Indian Wells
Sharapova começou errando muito e Kirilenko, jogando tudo o que sabia, fechou. No segundo set começou a palhaçada. Dois games intermináveis, um hindrance da Kiri (as famosas batidas com a raquete no chão), duas paradas médicas e um set de 1h36. No intervalo, as duas foram ao vestiário, e Kiri demorou demais pra voltar. O último set começou com um show da Maria, que abriu 4-0, mas foi quebrada logo em seguida. Sacando em 2-5, Kirilenko enfrentou um 0-40 e salvou match point, mas entregou a partida numa dupla falta.
2. Andy Murray d. Marcos Baghdatis, 7-5 6-3 7-5 6-1, terceira rodada de Wimbledon
O jogo do toque de recolher. A partida inteira foi legal, mas ela entra nesse Top 10 principalmente pelos últimos games. Segundo as regras do All England Club, nenhuma partida pode terminar após as onze da noite. Murray, que já havia ganho dois dos três sets jogados, tentava acelerar o jogo pra evitar um adiamento (era sábado, então se a partida fosse adiada só seria completada na segunda-feira). Baghdatis sentiu a pressão da torcida (o teto estava fechado e os gritos do público ficavam ainda mais fortes) e cedeu duas quebras. Com 5-1 e saque, Murray foi até o árbitro de cadeira perguntar se o jogo seria interrompido (o relógio marcava exatamente 11:00). O árbitro deu o ok e, em dois minutos, Murray fechou a partida, pra delírio da torcida.
1. Andy Murray d. Michael Llodra, 6-4 6-2 6-0, terceira rodada do Australian Open
Trator. Tudo bem que a estratégia suicida do Llodra de subir à rede em todo ponto ajudou, mas Murray distribuiu winners de todos os lados e de todos os jeitos. Só de lobs foram uns seis. No fim, Llodra decidiu brincar e aí a surra foi maior ainda. Teve até golpe de vista (muito) errado no match point.
Amanhã, as partidas com mais ação de 2012.
Troféu T de Tênis: Vídeo do ano
Terceira parte do Troféu T de Tênis está no ar. Escolha os melhores vídeos do ano:
Categoria Produção
1. US Open 2012: It Must Be Love (USTA)
Só amor.
2. 2012 ASB Classic: End of the World? (froggysveta)
“I wanna be the number 1″
3. Faltan 15 días para el Mutua Madrid Open (MadridOpen)
“Viva la revolución”
Categoria Fãs
1. I Was Here, tributo a Maria Sharapova (mashahighlights)
2. Andy Roddick tribute (coboseffects)
3. Kim Clijsters se retira (Clijsters tribute) (sportzapping)
Categoria Flagras
1. Dácio Campos dança “Elas estão descontroladas” na Copa Davis
2. Bandeira dos Estados Unidos cai do varal na cerimônia de premiação de simples feminino nas Olimpíadas
Troféus T de Tênis: Fotos do ano
Continuando os prêmios do T de Tênis, vamos eleger as melhores fotos de 2012. Agradecendo as indicações, eis os candidatos:
Categoria Vitórias
1. Novak Djokovic, Australian Open

2. Maria Sharapova, Roland Garros

3. Rafael Nadal, Barcelona
4. Andy Roddick, Miami
5. Bob, Mike e Micaela Bryan, Monte Carlo

Categoria Derrotas
1. Elena Vesnina, Australian Open
2. Agnieszka Radwanska, Doha
3. Andy Murray, Wimbledon

4. Maria Sharapova, Australian Open

5. Andy Roddick, US Open

Categoria Fanfarronices
1. Myla e Charlene Federer, Wimbledon

2. Jelena Jankovic, Fed Cup
3. Marion Bartoli, Madrid

4. Novak Djokovic, Pequim

5. Andy Roddick, Miami Cup (exibição)

Categoria Off-court
1. Serena Williams e seu novo namorado

2. Bruno Soares na cerimônia de abertura das Olimpíadas

3. Maria Sharapova e seu corte de cabelo fake

Categoria Olimpíadas
1. Venus e Serena Williams

2. Andy Murray

3. Victoria Azarenka

Adeus
2012 foi o ano das despedidas. De campeões de Grand Slam a desconhecidos da maioria, tivemos esse ano diversas histórias de sacrifícios, amor ao esporte e despedidas.
Juan Ignacio Chela e Juan Pablo Brzezicki, por exemplo, não tinham assim tanto destaque no circuito e eram até mais conhecidos pelas fanfarronices no Twitter. Foi através dele, aliás, que ambos anunciaram que não jogariam mais. Além de Chela e Brzezicki, outros argentinos penduraram a raquete em 2012. Jose Acasuso (top 20 e três títulos na carreira), Gisela Dulko (número 1 de duplas e campeã do AO 2011) e Brian Dabul (aquele que levou gran willy do Federer no US Open 2010) também não jogam mais.

Aqui no Brasil também tivemos nossa baixa, e por uma razão lamentável. Não foi por idade, não foi por lesão. Vivian Segnini se aposentou por falta de dinheiro. Não conseguiu apoio pra se manter no duro circuito e não quis viver de ITFs (como fazem vários outros atletas). Infelizmente essa aposentadoria teve menos repercussão do que deveria (principalmente pela motivação), e pouca coisa mudou desde então.
Ainda na América do Sul, o ex-top 5 Fernando González, dono de três medalhas olímpicas, tirou do circuito um de seus melhores forehands. Depois de uma série de lesões e cirurgias que começou ainda em 2010, Gonzo decidiu parar em Miami, onde foi derrotado ainda na primeira rodada. Semanas depois, Ivan Ljubicic também se aposentaria com uma derrota na primeira rodada (Dodig em Monte Carlo).
Dois recém-aposentados já trataram de arrumar emprego do outro lado das placas de publicidade. Arnaud Clément, que perdeu para a surpresa David Goffin em Roland Garros e encerrou a carreira em Wimbledon, nas duplas, assumiu imediatamente o posto de capitão da equipe francesa da Copa Davis. Juan Carlos Ferrero, campeão de Roland Garros 2003 e número 1 do mundo por oito semanas, não resistiu às seguidas lesões e parou de jogar em casa, no torneio de Valencia, firmando logo depois parceria com Nicolas Almagro (que o derrotou em sua última partida de simples) para auxiliá-lo nos treinamentos.
Como se a lista estivesse pequena, outros dois ex-líderes dos rankings também deram adeus. Kim Clijsters, uma das pessoas mais fofas que já passaram pela WTA, se aposentou pela segunda vez no US Open após perder para a jovem Laura Robson, eleita posteriormente a revelação do ano entre as mulheres. Ainda jogou duplas e duplas mistas, deixando de vez as quadras numa derrota para Bruno Soares e Makarova, que seriam campeões do torneio.
E teve ele. Doze anos de carreira, trinta e dois títulos, campeão no US Open 2003 e número 1 por treze semanas, Andy Roddick se aposentou depois de um ano terrível, com derrotas que só as lesões explicam (olá, Istomin, Malisse, Soeda, Mahut e Roger-Vasselin). No meio de tanta draga, ainda vieram dois títulos extremamente inesperados em Eastbourne e Atlanta e a esperança de que 2012 poderia não ser o fim. Mas foi. Como eu achava que ia ser desde o ano passado. Roddick saiu do circuito na quadra que mais o fez feliz, cercado por quem mais o admira.
Outros cujas aposentadorias foram muito cogitadas, como Safina e Soderling, disfarçaram e seguem vivos, sabe-se lá até quando. Será que sobrevivem a 2013? Quem você acha que pendura a raquete no ano que vem?








