Segunda casa
Quem me segue no Twitter já deve saber, mas não custa avisar: dei início essa semana a um novo blog, o Londres em Casa, focado nas Olimpíadas que acontecerão no meio do ano.
O ritmo de postagens no T de Tênis vai diminuir um pouco, mas estarei aqui pra comentar o que eu achar interessante.
Beijos.
Troféu Russice do Mês – Março
Tá atrasado, eu sei, mas finja que não. Vamos a mais uma etapa da já tradicional disputa que está mobilizando a blogosfera tenística mundial (só que ao contrário). Em março tivemos os primeiros Masters/Mandatories da temporada, mas o nível de russice não foi tão alto, pelo menos no mundo da ATP. Por isso, apenas moças concorrem a uma vaga na final. Sem enrolação, eis as candidatas:
Anastasia Pavlyuchenkova
Tudo bem que ela não vem fazendo uma temporada espetacular e o jogo foi nos Estados Unidos, mas perder em sets diretos para a Vania King, Pavs?

Maria Sharapova
Ok, em 2012 ela só perdeu para campeãs, mas… precisava mesmo perder mais uma pra Azarenka. E precisava errar tanto nas duas finais?

Vera Zvonareva/Svetlana Kuznetsova
Campeãs do AO, Kuznereva reeditaram a dupla em Indian Wells e levaram uma sapatada logo na estreia, vencendo apenas cinco games contra Bacsinszky e Brianti. (a foto é do ano passado, mas a reação deve ter sido a mesma)

Vera Zvonareva
O mundo ainda se perguntava quem era aquela espanhola random de nome esquisito que nunca havia jogado uma partida de nível WTA e de repente ganhou um convite para um Mandatory quando nossa querida Bepa tratou de dar mais destaque à moça fazendo o favor de perder por dois sets a zero logo em sua estreia.

Agora é sua vez:
ATP off road
Se você gosta de barro e de sujar o calçado, está chegando a sua parte preferida da temporada de tênis.
Tiago Leifert Feelings à parte, semana que vem começa oficialmente a temporada de saibro no circuito masculino. Tempo de ver meias sujas (menos as do Federer), quadras da mesma cor (oh wait) e Nadal levantando um troféu atrás do outro (ou não). Nas próximas semanas você vai ver mais ou menos isso:
Casablanca (9 de abril): único torneio em cidade africana no calendário da ATP, terá como cabeça de chave principal o alemão Florian Mayer (aquele que derrotou Isner em Miami). O campeão de 2011, Pablo Andujar, tenta defender seu título (o único da carreira até agora) em uma chave repleta de espanhóis (cinco) e italianos (quatro), mas com apenas três Top 50. Ricardo Mello está inscrito e tentará furar o quali.
Houston (9 de abril): o Campeonato Norte-Americano Masculino em Quadra de Saibro (sim, este é o nome oficial do evento) chega precisando dar convites para melhorar o nível dos cabeças de chave (Lopez e Monaco receberam; Anderson também). Não que precisasse, já que Isner e Fish são os top seeds e Karlovic e Bogomolov também estão na chave. Entre os oito americanos já confirmados está Ryan Sweeting, que tentará defender o título (também o único). João Souza, o Feijão, está entre os inscritos.
Monte Carlo (16 de abril): logo na segunda semana, o primeiro Masters na terra batida. Por não ser obrigatório, terá algumas ausências importantes, como Federer (que não defenderá as quartas-de-final), Fish e Del Potro (que já não jogaram lá em 2011). O resto do Top 10 estará lá, inclusive Djokovic, que não esteve ano passado (será que ele tentará o hat trick pra cima do Nadal em Masters no saibro?). Graças às desistências, Bellucci já garantiu sua vaga direta. O torneio também terá como atrativo a despedida de Ivan Ljubicic.
Barcelona (23 de abril): o único ATP 500 da temporada de saibro terá Nadal (campeão em 2011) e Murray como cabeças de chave principais. Bellucci está inscrito, assim como Feijão, que deve disputar o quali.
Bucareste (23 de abril): as Olimpíadas forçaram a antecipação deste torneio, que tem Simon como top seed e Mayer tentando defender seu título. Troicki, Melzer e Baghdatis são outros nomes fortes na chave. Feijão não quer saber de moleza e também se increveu lá, mas deve precisar do quali.
Estoril (30 de abril): num dos mais fortes torneios 250 desta temporada de saibro, Del Potro tenta repetir o resultado do ano passado, mas terá como adversários principais Monfils, Gasquet, Wawrinka e Chela. Feijão, que está quase um arroz-de-festa (credo, que piada péssima!) também botou seu nome na lista.
Belgrado (30 de abril): o Djokovic Open (maldade…) só terá um Top 30 (o dono do torneio, no caso). Andujar, Seppi, Nieminen e Nalbandian tentarão o que Filip Krajinovic conseguiu em 2010: derrubar Nole. E o Feijão, adivinhem? Resolveu atirar pra todos os lados e se inscreveu em dois torneios na mesma semana.
Munique (30 de abril): Davydenko se inscreveu pra tentar defender o título, mas, para isso, terá que chegar mais longe que Tsonga, Almagro, Lopez e cia. Bellucci resolveu jogar este torneio (pra ver se deixa de perder tantos pontos, né?). O Feijão? Não, nesse ele não se inscreveu.
Madrid (6 de maio): Cabô a moleza! Todo mundo volta à quadra na capital espanhola e, pela primeira vez, sujará suas meias com saibro azul. Bellucci, semifinalista em 2011, ainda não conseguiu vaga direta na chave (precisa de duas desistências para isso). Ele deve conseguir (Ljubicic vai se aposentar antes e Soderling pode ainda não ter voltado), mas o alerta de ladeira abaixo já apita alto…
Roma (13 de março): Bellucci também está sem vaga garantida, mas é o primeiro na lista de substitutos, então deve conseguir sem problemas. No mais, é tudo igual a Madrid: todo mundo vai jogar e Djokovic vai deixar Nadal com a cara na poeira (ou não).
Dusseldorf (20 de março): na última semana antes de Roland Garros acontece a “Copa do Mundo” de tênis. Oito times, divididos em dois grupos, disputam partidas melhor de três sets (dois jogos de simples e um de duplas) e os vencedores de cada grupo se enfrentam na final. Os alemães, donos da casa, são os atuais campeões, mas esse ano terão que enfrentar a forte equipe tcheca (Berdych e Stepanek), o timaço sérvio (Tipsarevic, Troicki e Zimonjic) e o experiente time americano (Roddick, Fish e Blake).
Nice (20 de março): não consegui achar uma lista completa de inscritos, mas o site oficial do torneio faz propaganda de Ferrer, Simon, Almagro, Gasquet, Davydenko, Isner e Tomic. Se for confirmada, será uma chave bastante forte para um torneio em semana pré-Slam.
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Sentiu falta de informações sobre os torneios femininos? Seus problemas acabaram! A Sheiloka diz tudo o que você precisa saber.
Sobe e desce
O torneio de Miami terminou neste domingo jogando na cara da sociedade surpresas e decepções. Na minha opinião, foi o melhor torneio do ano (exceto o AO, claro). Pra resumir essa história, escolhi cinco tenistas que saíram de Key Biscayne com muita moral e cinco que vão ter que se recuperar após o torneio.
Sobe
Andy Roddick
Depois de uma minitemporada americana péssima, Roddick finalmente reencontrou seu tênis. Apesar de ainda ter problemas em administrar vantagens e converter break points, ele fez em Miami dois de seus melhores jogos do ano. Estreou com uma vitória convincente sobre Muller e, ao contrário do que todos imaginavam, venceu Federer num jogaço. Concentrado, salvou dois break points no primeiro set e venceu o tiebreak. Apagou no segundo, mas surpreendeu novamente e deu a volta por cima no terceiro. A vitória foi tão psicologicamente importante e fisicamente desgastante que Roddick não teve tempo de botar a cabeça no lugar e, menos de vinte e quatro horas depois, dava adeus ao torneio levando um pneu de Monaco. Ainda assim, Miami serviu pra mostrar que Roddick ainda tem condições de fazer bons jogos.
Juan Monaco
Além de dar um pneu em Roddick, Monaco venceu com autoridade Monfils e Fish. Criou oportunidades contrariando favoritismos (perdeu o primeiro set contra Monfils e enfrentou um Roddick pós-vitória contra Federer, por exemplo) e escapou de um papelão contra Djokovic após levar um pneu no primeiro set e levar o segundo ao tiebreak (os erros de Djokovic colaboraram sim, mas isso não tira o mérito do argentino).
Venus Williams
Fora das quadras da WTA desde o US Open 2011 para tratar uma rara doença, Venus tinha dois grandes desafios logo de cara: Kimiko Date-Krumm, que quase a eliminou em Wimbledon 2011, e Petra Kvitova, campeã de Wimbledon e semifinalista do Australian Open. O resultado? Pneu nas duas. Se alguém achava que Venus ia demorar pra ganhar ritmo de jogo, as vitórias de virada nos longos jogos contra Wozniak e Ivanovic (foram cinco horas e dezesseis minutos nos dois jogados, em dias consecutivos) deram a resposta. A eliminação veio apenas nas quartas de final, contra a eventual campeã Radwanska.
Alisa Kleybanova
Outra que voltou às quadras depois de um longo tratamento (este contra um linfoma), Kleybanova não teve nenhum de seus jogos transmitido pela tv. Venceu Johanna Larsson de virada e perdeu para a compatriota Maria Kirilenko na segunda rodada.

Garbine Muguruza Blanco
A venezuelana naturalizada espanhola nunca havia disputado um torneio WTA nem atingido o Top 200 do ranking, mas soube aproveitar de maneira incrível o convite recebido dos organizadores. Na estreia, contou com um abandono de Morita e na segunda rodada eliminou a cabeça de chave 9 Vera Zvonareva (que fase, Bepa…). Surpreendeu novamente e venceu Flavia Pennetta, sendo derrotada apenas por Radwanska.
Desce
Angelique Kerber
Depois de duas semifinais na Oceania, um título em Paris e uma semifinal em Indian Wells, Kerber perdeu em sets diretos logo na estreia em Miami.
John Isner
Outro que teve um resultado bem abaixo do esperado, Isner foi surpreendido for Florian Mayer numa quadra central, sessão noturna, domingo etc etc.
Victoria Azarenka
Vika entra na lista não pelo fim da série invicta, mas pelo jogo contra Cibulkova. Num esporte mental como o tênis, Vika só conseguiu se firmar na elite quando parou de surtar. Na estreia de Indian Wells, a velha Vika ameaçou voltar, mas a nova conseguiu segurar. Contra Cibulkova, a velha Vika ficou a dois games de ser eliminada. Xingou, gritou, chorou… Quando tudo parecia perdido, a nova Vika voltou e, após quase três horas, conseguiu a vitória.

Petra Kvitova
Faltou pouco para a Kvitova de 2012 ser o Murray de 2011. Nos dois torneios, a tcheca conseguiu apenas uma vitória. Em Miami, a campeã de Wimbledon levou um pneu de uma jogadora que não entrava num torneio desde setembro. Tudo bem, não era nenhuma Melanie Oudin, mas a campanha da Petra nos Premiers foi vergonhosa.
Thomaz Bellucci
Mais uma vez o brasileiro mostrou que só sabe jogar contra tenistas top. Depois de jogar em alto nível contra Roger Federer em Indian Wells, perdeu para Frederico Gil em dois sets e ficou um pouco mais longe de confirmar sua classificação para as Olimpíadas.
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Fotos: Zimbio
Histórias Olímpicas – parte 1
Faltando quatro meses para as Olimpíadas de Londres, o T de Tênis começa uma série de posts sobre as edições anteriores do torneio olímpico.
Todo mês veremos os maiores destaques de cada torneio e como o esporte se desenvolveu ao longo dos Jogos.
O tênis fez parte do programa olímpico nas sete primeiras edições, entre 1896 e 1924. Depois de quatro décadas de ausência, voltou em Tóquio e, dezoito anos depois, em Los Angeles, ambas as vezes como torneio exibição. Em Seul 1988 voltou a integrar o programa oficial, sendo mantido até hoje.
Conheça agora histórias das três primeiras edições dos Jogos.
Atenas 1896
O primeiro torneio olímpico foi realizado no The Athens Lawn Tennis Club, ao lado do Templo de Zeus e próximo ao Estádio Panathinaikos, palco principal daqueles Jogos. Participaram dos eventos treze competidores de seis países. A chave de simples, com sete gregos e seis estrangeiros, foi vencida por John Pius Boland, da Grã-Bretanha que derrotou na final Dionysios Kasdaglis, egípcio registrado no Comitê Olímpico Internacional como grego. As medalhas de bronze (que naquela época eram entregues aos segundos colocados, já que não havia medalha de ouro) são creditadas ao grego Konstantinos Paspatis e ao húngaro Momčilo Tapavica. Participaram ainda jogadores de Austrália, Alemanha e França. A chave de duplas foi formada por dois times gregos e três de equipes mistas (algo comum naquela época). John Pius Boland fez a dobradinha, vencendo o torneio ao lado do alemão Friedrich Traun. Na final, a dupla derrotou o grego Demetrios Petrokokkinos e Dionysios Kasdaglis, que havia perdido a final de simples para Boland.

Registro da final de simples.
Paris 1900
Os Jogos Olímpicos de Paris duraram vários meses e tiveram várias competições espalhadas pelos arredores da cidade. O torneio de tênis ocorreu na comuna de Puteaux, e contou pela primeira vez com a participação de mulheres. A britânica Charlotte Cooper, pentacampeã de Wimbledon, foi a vencedora do torneio de simples (e também a primeira mulher campeã olímpica da história), derrotando a francesa Hélène Prévost na final. Cooper ainda venceu o torneio de duplas mistas ao lado do compatriota Reginald Doherty. Doherty também chegou à semifinal de simples, mas se recusou a entrar em quadra para enfrentar seu irmão, Lawrence, que acabaria sendo o campeão do torneio ao vencer Harold Mahoney, também britânico. Arthur Norris, do mesmo país, foi o outro derrotado na semifinal. Os irmãos Doherty foram os campeões de duplas. Ao todo, vinte e seis tenistas de quatro países (França, Estados Unidos, Grã-Bretanha e Boêmia) participaram desta edição.
Charlotte Cooper, primeira mulher campeã olímpica da história
St. Louis 1904
Assim como em Paris, os Jogos de St. Louis fizeram parte de uma feira mundial e duraram vários meses. O tênis foi disputado no início de setembro e, além dos torneios olímpicos (simples e duplas, apenas no masculino), ocorreram outros torneios paralelos, o que causa confusão nos registros oficiais. Dos trinta e seis tenistas inscritos, apenas um era estrangeiro (Hugo Hardy, da Alemanha, que foi derrotado na estreia nos dois torneios). Beals Wright, campeão do US Open 1905, ficou com o ouro em simples e em duplas (ao lado de Edgar Leonard). O torneio olímpico foi organizado por Dwight Davis, o criador da competição entre países conhecida hoje como Copa Davis.

Beals Wright.
Em abril, vamos ver como foram os torneios de Londres 1908, Estocolmo 1912 e Antuérpia 1920.
Fotos: Wikipédia e International Tennis Hall of Fame.
